Zé: vem isto a propósito de mais uma das das tuas histórias, pícaras e brejeiras, que passam agora a figurar na série "Humor de caserna" (*) (e que é repescada do poste P629, de 21 de março de 2006, tem 20 anos).
(i) é régulo da Tabanca de Matosinhos;
(ii) ex-1.º cabo aux enfermeiro, CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70;
(iii) é um histórico da Tabanca Grande, que integrou a partir de 14/12/2005;
(iv) tem c. quatro centenas e meia de referências no blogue;
(v) vive em São Mamede de Infesta, Matosinhos;
(vi) é gerente bancário reformado;
(viii) escritor, poeta, contista, além de escuteiro;
(ix) é autor de séries notáveis como "Estórias do Zé Teixeira", "O Meu Diário", "Crónicas de uma viagem à Guiné",
(ix) e, por fim e não menos importante, é um homem que tem provas dadas em projetos dev ajuda e cooperação com a Guiné-Bissau (que ele conhece e ama, como poucos).
"Fermero, fica quieto, abelha não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho pela boca"
por Zé Teixeira
A primeira vez que caímos num ataque de abelhas foi o caos.
A coluna com trinta viaturas carregadas e três obuses de 14 mm, protegida pela CCAÇ 2381 e pelos pelotões da Companhia do Capitão Rei, estacionada em Aldeia Formosa que nos tinha vindo buscar a Buba, ficou na sua maior parte à mercê do IN, perto de Sinchã Cherno.
Só que este, o IN, não tinha na sua agenda atacar naquele local, mas mais à frente. Atacou só no dia seguinte depois de nos fazer um morto numa A/C [mina anticarro] comandada que rebentou só na quinta viatura, a do rádio.
Também eu, aqui, fui um homem de sorte. O milícia que ia a meu lado, ao ver as abelhas aos milhões, agarrou-me por um braço e metemo-nos atrás de um arbusto:
- Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho... pela boca.
Assim quieto senti-as à minha volta. Pude ver os meus colegas todos a fugir, a sacudir, a coçar e a desaparecer. Ficaram apenas as viaturas e os obuses, na picada.
Passados alguns minutos, foram começando a aparecer e tudo voltou ao normal. Eu apenas com duas picadelas, ria-me dos colegas que apareceram a gemer por todos os lados, mas aprendi a lição e preparei-me para um possível segundo ataque que sucedeu meses depois.
Andávamos a montar segurança à engenharia que construía a estrada Buba-Aldeia Formosa. Sentado ao lado do manobrador do caterpílar apreciava como esta máquina derrubava árvores gigantescas, quando de lá de cima cai um grande enxame. Formou-se uma nuvem e toda a gente a gritar, pernas para que vos quero. Até uma cadelinha, nossa mascote, que nos acompanhava desapareceu, até hoje. Numa fracção de segundos vejo-me só.
Quico atravessado na cabeça, para me proteger do zumbido, braços cruzados, impávido e sereno (a tremer por todos os lados), sentado no caterpílar, a aguardar o ataque. Imaginem o Zé Teixeira como que vestido com um fato novo. Fiquei coberto de abelhas da cabeça aos pés. Só o zumbido me incomodava.
Passado algum tempo começaram a levantar, pois eu não dava luta e com este gajo é melhor não se meterem. Deixaram-me sem uma beliscadura. Os camaradas foram-se aproximando todos picados. Ficaram mais espantados que eu, por me verem são e salvo de um ataque de abelhas. Pomada para toda a gente. Tive inclusive de injectar anti-histamínicos ao Ferraz para evitar a morte por asfixia devido ao facto de ser alérgico.
Ainda hoje tenho mais medo das formigas, mas essas tem outras histórias já aqui contadas.
(Seleção, revisão / fixação de texto, título: LG)
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Nota do editor LG: